Ah, as praias australianas…
Sunshine Coast
Na manhã de segunda-feira (25)
acordamos cedo e fomos para o Aeroporto de Melbourne. Devolvemos o
carro alugado, juntamos todas as bagagens - ainda carrinho e
cadeirinha de carro - e depachamos no voo. Apesar de achar que era
muita coisa, não pagamos excesso. Partimos para Sunshine Coast, ao
norte da costa leste, num voo de três horas, com escala em Sydney.
Como o voo atrasou na saída de Melbourne, tivemos que correr na
escala para não perder a conexão. Ainda bem que os portões estavam
um do lado do outro.
Chegamos em Sunshine Coast no começo
da noite e logo que desembarcamos sentimos aquele vento quente e
gostoso que anunciava que na manhã seguinte ia dar praia! Seguimos
para nossa hospedagem. Dessa vez ficamos em um bed and breakfast, um
tipo de acomodação similar às nossas pousadas praianas.
A proprietária do Coolum Dreams Bed & Breakfast é uma senhora gentil, chamada Narelle, que nos recebeu muito bem e
ainda reservou um quarto com direito a uma varanda individual, um
espaço aconchegante e agradável. Como não havíamos reservado o
carro, na manhã seguinte ela levou meu marido até uma locadora para
buscar o veículo.
A acomodação tem um estilo meio
hippie, com diversas plantas, flores, pequenas estátuas de animais
australianos e elementos que dava esse ar de praia, de
calmaria...Como diria a canção dos Eagles: Such a lovely
place....Such a lovely face...
| Coolum Dreams Bed & Breakfast |
Na terça-feira (26) fomos conhecer as
praias de Sunshine Coast. Começamos por Noosa Head, considerada a
melhor praia da região. E de fato, é exatamente aquele tipo de
praia que gosto: com a onda gostosa, suave, que te abraça, com a
temperatura exatamente como eu gosto: fria, mas refrescante! Areia
fina, água cristalina… A praia é uma dádiva, ideal para ir com
crianças!
| Noosa Head |
Finalmente demos aquele mergulho e curtimos um bom tempo por ali até bater a fome. O local é super badalado e estava ainda mais cheio, afinal era o segundo dia da Spring Break*. É ali o agito de Noosa Head: os restaurantes têm preços salgados, mas encontramos um para comer bem a um valor razoável. Nas ruas próximas à praia têm várias lojas bacanas, restaurantes e cafés.
Depois do almoço fomos conhecer outros
lugares e paramos em Collumm Beach, uma praia com uma faixa de areia
comprida e mar de ondas mais fortes e frias. O sol estava delicioso e
curtimos um bom fim de tarde nesta praia, que tinha bastante gente,
mas já não estava tão cheia quanto Noosa. Uma praia maravilhosa também, mas com outro clima, de tranquilidade, onde o tempo parece
que passou devagarinho…
| Collumm Beach |
*Spring Break são as férias
australianas na primavera, com parada de 15 dias. O ano letivo é
dividido por semanas, assim os alunos estudam dez semanas e folgam
duas. Mas as datas variam em cada região e ainda existem as férias
prolongadas de fim de ano, que compreende meados de dezembro até fim
de janeiro.
Byron Bay
Na manhã seguinte (27), fomos para
Byron Bay. Durante a década de 1970, a cidade foi um reduto da
cultura hippie na Austrália e ainda mantém esse clima em suas ruas.
Lá nos hospedamos no Discovery Parks, um camping bem estruturado que
é a alegria da criançada. A começar pelo parque aquático pra onde
meu filho me arrastou assim que chegamos no local.
| Discovery Parks |
A gente vai pra acompanhar o filho,
que, por seu pequeno, tem que ficar com os pais lá, e no fim se
diverte como criança. O local ainda oferece piscina, pula-pula,
aluguel de bicicleta, cineminha e boate na quadra, e as crianças
maiores podem curtir a natureza e brincar de caçar insetos à noite.
Terminamos o primeiro dia em Byron Bay curtindo o sossego da noite e
o som da natureza ao redor.
Acordamos e fomos direto para a praia.
Aquela quinta-feira (28) estava quente e ficamos em Main Beach, a
praia mais próxima da cidade e a mais popular. Com sua areia macia e
branca, e ondas convidativas, passamos um bom templo ali,
contemplando o céu azul e entre um mergulho e outro, construindo
castelinhos de areias.
Main Beach |
Essa foi a única vez que lamentei não
poder tomar uma cerveja ou uma água de coco na praia…afinal na
Austrália não é permitido tomar álcool nas ruas, muito menos nas
praias, enfim, não dá pra sair com uma latinha por aí. Também não
é permitido comércio nas areias... ou seja, não dá pra tomar uma
água de coco gelada, nem um sorvete, se quiser alguma coisa sem sair
da canga (aqui o povo uma mais uma toalha de praia mesmo), é preciso
levar tudo numa bolsa térmica.
De volta ao camping, descansamos um
pouco e depois seguimos para mais uma super sessão no parque
aquático. À noite caímos na balada ali na quadra mesmo, com um DJ
que animava pais e filhos, iluminados por um céu estrelado.
No dia de partir para Brisbane, ainda
curtimos o resto da manhã na cidade e fomos conhecer um ponto
turístico, Cape Byron Lighthouse, o farol da cidade, que fica no
alto de um penhasco de aproximadamente 100 metros. O Cabo Byron é o
ponto mais oriental da Austrália. De lá temos uma vista
surpreendente, de onde vemos todo o litoral da cidade.
| Cape Byron Lighthouse |
O farol em si é uma construção
bonita e conservada, e seu entorno, a reserva estadual, muito bem
cuidada. Não arriscamos as trilhas, mas sentimos o vento e a energia
do local. O ponto é um encanto, mas lembre-se de tomar um banho de
repelente quando for lá. Os borrachudos também admiram a vista.
Brisbane, nossa parada depois de Byron
Bay, estava na metade do caminho, mas por um cancelamento na reserva,
seguimos direto para a cidade hippie e depois voltamos para Brisbane,
a capital do estado de Queensland e terceira maior cidade da
Austrália. Apesar disso, não tem aquela imponência de cidade
grande.
E por um acaso do destino foi
exatamente naquele fim de semana que deveríamos mesmo conhecer em
Brisbane. A cidade comemorava o Brisbane Festival, um dos principais
festivais internacionais de artes da Austrália, realizado a cada
setembro. Por três semanas a cidade fica agitada com muita música,
teatro, dança, comédia, ópera, circo e festas.
Chegamos numa sexta-feira (29) quente e
fomos direto almoçar. Escolhemos hambúrguer com batata e me deliciei
com o melhor hambúrguer da minha vida, no Burger Urge. Descansamos e
à noite fomos conhecer a Wheel of Brisbane, a roda gigante da
cidade, que tem como seu principal patrocinador a ABC, a televisão
pública australiana, que fica ao lado, tudo em South Bank Parklands.
| Vista da Wheel of Brisbane |
Do alto da roda gigante temos uma vista
incrível das margens do rio que batiza a cidade e à noite a deixa ainda mais bonita. De lá já vimos um dos pontos do Brisbane
Festival, bem nas margem do rio, claro, e ao descermos já seguimos o
som da banda que tocava um soul animado.
A cidade dos dias ensolarados, como é
conhecida, está próxima da costa, mas não está no
litoral. Mas nem por isso deixa seus habitantes e turistas sem um
refresco. Para isso foi criada o South Bank Parklands: um parque
aberto com praia artificial. E é para lá que fomos no sábado de
manhã.
No coração da cidade, ao lado do rio,
essa praia artificial tem uma lagoa cintilante cercada de areias
brancas e plantas, conta ainda com piscina, playgrounds e pode ser
usada livremente por todos. Mas para isso tem uma revista muito bem
feita por guardas na entrada, não pode entrar com bebidas
alcoólicas. Acho muito interessante isso na Austrália, as pessoas
bebem, mas não podem beber em qualquer lugar.
| South Bank Parklands |
Por lá ficamos a manhã toda, entre a
piscina, a praia e o parquinho, curtindo o agradável local, que
ainda tem ciclovia, anfiteatro e grandes espaços verdes. A canga
virou toalha de piquenique e por lá mesmo comemos. Ainda curtimos a
apresentação da banda da Marinha australiana, que mostrou algumas
de suas embarcações. Enquanto curtimos a música, meu filho se
encantou com os barcos e as atividades para as crianças oferecidas
no local. Cansados do sol, que ardia no começa da tarde, voltamos
para o flat para descansar para a noite.
Ao andar pela cidade, percebemos que o
Brisbane Festival é um evento vivido intensamente pelos pessoas da
cidade e visitantes. Descobrimos que no encerramento da festival
acontece o Sunsuper Riverfire, um show pirotécinico que atrai, junto
ao festival, um público de cerca de um milhão de pessoas. E um dos
locais do show pirotécnico, que rola em vários pontos do rio que
circunda a cidade, aconteceu na Story Bridge, ao lado do flat onde
nos hospedamos, na Brunswick Street, em Fortitude Valley, o bairro
boêmio de Brisbane.
| Story Bridge |
A cidade toda se agita para o Sunsuper
Riverfire: restaurante oferecem reservas especiais, as lojas de
bebidas ficam abertas até tarde, os grupos se encontram em festas
fechadas nos topos dos edifícios, e a margem da rio fica cheia de
gente que até acampa para ver o show. Mas a festa começa ainda
antes, com jatos da aeronáutica australiana cortando o céu de
Brisbane, com seu fim de tarde de uma alaranjado maravilhoso, que
rendeu uma série de fotos inspiradas.
| Brunswick Street, em Fortitude Valley |
Depois de jantar num restaurante
vietnamita, muito comum por lá, nós seguimos os locais e fomos ver
os fogos na Story Bridge, às sete da noite. O show de fogos é
bonito, o pessoal curte, mas não senti aquela vibração alucinada
dos brasileiros na virada do ano, bom, também nem era virada do
ano...E passados trinta minutos de show, todo mundo volta para os
bares e casas para curtir a noite e beber, afinal na Austrália não
é permitido tomar álcool nas ruas, muito menos nas praias, enfim,
não dá pra sair com uma latinha por aí. Voltamos para o nosso flat
também para também tomar umas das minhas cervejas favoritas da
Austrália, a Iron Jack.
Port Macquaire
No domingo de manhã (1º de outubro)
partimos para Port Macquaire, nossa última parada antes de mais uma
semana em Sydney. Depois de 543 km de estrada pela Pacific Highway,
chegamos na cidade litorânea no fim de uma tarde chuvosa, que estava
pacata e quieta. Dessa vez ficamos num motel, que por aqui tem a
finalidade de hotel mesmo. Saímos à noite para jantar, mas a cidade
já estava recolhida...enfim conseguimos um bom lugar para comer:
batatas rústicas, hambúrguer e um prato de frutos do mar.
Na segunda (2), ainda Spring Break,
fomos tentar pegar uma praia, mas ficamos só na orla, admirando o
mar de Flynns Beach, pois logo começou a chover. Ainda tentamos
conhecer o mirante da cidade, mas a chuva ficou forte e decidimos ir
ao shopping. Mais uma vez ficamos impressionados com os preços
baixos dos brinquedos. Alguma coisa tinha que ser barata né? A
Austrália é linda, mas é cara para o viajante. Mas, segundo dizem os locais, para quem mora aqui o custo de vida é justo e
condizente com os rendimentos.
| Flynns Beach |
Já que a chuva não cessava,
conhecemos a cidade de carro, demos muitas voltas antes de ir para o
motel. O que pude perceber é a cidade é um refúgio litorâneo para
quem não curte muito os campings, pois vimos muitos hotéis, flats e
casas de praia, além do porto e clubes náuticos.
A cidade também é conhecida por seus
vinhedos, então na terça-feira (3), antes de voltar para Sydney,
fomos conhecer o Bago Vineyard And Maze, na saída da cidade. O dia
amanheceu nublado novamente, o que tornou o caminho pela Milligans
Road, uma estrada de chão que leva ao vinhedo, ainda mais bucólico.
A entrada é 10 dólares por adulto, o
que dá direito a visitar todo o vinhedo e degustar os vinhos
disponíveis. Mas o que chama atenção, principalmente das crianças
- e depois dos adultos que se entregam à aventura - é o labirinto
feito por 900 plantas de Lili Pili, conhecida no Brasil por jambinho.
O local tem área total de 10 mil metros quadrados e 2 mil metros de
percursos.
| Bago Vineyard And Maze |
Para não ficarmos mais perdidos ainda,
optamos por fazer a degustação dos vinhos apenas na saída. Os
vinhos de lá são deliciosos, bem no estilo artesanal, e o preço
vale a pena. Levamos alguns para continuar a degustação à noite.
Pacific Highway
Continuamos nossa volta para Sydney
pela legendária Pacific Highway, a rodovia número 1 da Austrália.
Ao longo da estrada, as paisagens são lindas, mas não dá para
vislumbrar o mar. Almoçamos pelo caminho e depois paramos em Newcastle, a apenas 160 quilômetros a norte de Sydney. A cidade é
cercada por um litoral deslumbrante com lindas praias.
Seguimos pela orla e vimos como os
locais gostam de uma corrida e ainda curtir o fim do dia na praia.
Demos uma parada no Memorial Walk para admirar Bar Beach e Merewether
Beach, de onde se vê uma estonteante piscina natural encravada nas
pedras. Ali tomamos mais um fôlego para seguir para Sydney, onde
chegamos no começo da noite.
| Merewether Beach |
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