Saudade: meu Brasil dentro de mim
Era sábado de Carnaval eu tive uma saudade genuína do Brasil. Saudade da música, das ruas, da minha cidade. Lembrei da música rolando nas ruas, do verão ardente em fevereiro. Pensei no março chegando, trazendo as primeiras chuvas do fim de verão e o meu aniversário - aquele momento que marca o início do outono e me faz iniciar mais um ciclo. Senti saudade de quem eu sou na minha língua materna, pois imigrar é como abrir um caderno em branco. Você se vê sendo mais um rosto na multidão de imigrantes, mas por dentro sabe que cada página será preenchida com histórias únicas. Sua identidade não se perde, apenas se transforma. No idioma materno, eu sou quem realmente sou - completa, inteira. Imigrar é se maravilhar com cada coluna centenária de um edifício que é patrimônio da humanidade. É deslumbrar-se com cada novo lugar que se conhece no desconhecido, e ao mesmo tempo deslumbrar-se e acreditar que o seu novo eu desconhecido é capaz. Sempre foi. E nessa noite de Ca...