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Mostrando postagens de 2024

Pausa na rotina en la Marina de Valencia

     Hoje saí da minha rotina habitual: levar os meninos à escola, fazer ginástica, voltar para casa, arrumá-la, trabalhar um pouco, limpar a casa, trabalhar de novo... casa e mais casa. Desta vez, decidi quebrar o ciclo para ter meu contato semanal com a natureza. Resolvi ir a algum lugar próximo de casa, onde pudesse chegar e voltar rapidamente. Escolhi a praia. Faz tempo que não vou à minha praia. Estava precisando desse momento.        O dia amanheceu fechado, com cara de chuva, mas não me importei. A natureza é assim, independente, e mesmo sem sol, ela mostra sua beleza. Para mim, basta estar aqui. A praia sempre me surpreende, transformando-se conforme o período do ano. Hoje, a Praia Malvarrosa está com o mar calmo, quase parado. Parece um lago. A água tranquila reflete um céu cinzento, e as aves aproveitam para mergulhar e buscar peixes.        À distância, vejo um barco pequeno, quase imóvel, e algumas poucas pesso...

Maratonas (ou correrias da vida)

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Só hoje, três amigos me responderam praticamente a mesma coisa: "Estou numa correria danada, muito serviço, muita coisa pra fazer, pra finalizar. E você, como está?". E aí fico pensando… Será que a gente precisa dessa correria toda pra se sentir produtivo, importante, necessário? Claro que todos nós precisamos ganhar o pão de cada dia, mas não parece que o estresse só aumenta com tanta pressa?  Corremos tanto que esquecemos para onde estamos indo. A linha de chegada nunca está clara — talvez nem exista. Só parece uma corrida pra provar que a gente está correndo, mas sem realmente chegar a lugar nenhum.  Parece que estamos todos apenas correndo, mas a pista vai passando e, no meio disso tudo, a gente mal percebe a paisagem, não sente o chão, não sente o próprio corpo se movendo, nem o vento batendo no rosto, tampouco o suor. A corrida fica só no estresse, sem recompensa, sem nada além disso, nem mesmo um copo de água dando pelo voluntário.  Se não há medalhas, nem linha de...

Solidão de Casa Cheia

  Há dias que me sinto assim, exatamente como a letra do Milton: solidão de casa cheia . É um paradoxo, considerando as crianças. Amigos que riem alto, família que preenche os cômodos com conversas e histórias. Ainda assim, esse vazio permanece. Silencioso, insistente. Não é que falte amor ou companhia. Talvez falte ser ouvida de verdade, com o coração aberto de quem não está apenas esperando a vez de falar. Falte aquele momento de desabafo sincero, sem precisar medir palavras, sem medo de parecer exagerada ou dramática. Tem sentimentos que precisam sair. Virar palavras, lágrimas, talvez até risadas. Precisam evaporar, virar poeira, sumir, para que eu possa voltar a me sentir inteira. É só a alma pedindo espaço, um pouco de ar fresco. E, no meio disso tudo, adorei a ideia de assistir a um filme contigo. Parece tão simples, mas é exatamente o que eu preciso. Ficar ali, lado a lado, sem pressa, dividindo um pedaço de história que não seja o caos dos dias ou a correria das horas....

44 anos

     Comemoro meus 44 anos como imigrante, vivendo há quase um ano fora do meu país. Desta vez, a celebração foi diferente: ganhei apenas um presente. As ligações vieram, algumas cheias de afeto e importância, mas outras, esperadas com ansiedade, não aconteceram. Vivemos tempos em que a memória das pessoas depende dos alertas das redes sociais. Quando se omite essa informação, os aniversários passam despercebidos, esquecidos pela ausência de notificações. Aquela velha agenda de papel, que também guardava as datas de aniversários, já não se vê mais, assim como algumas memórias que parecem se sumir. O engraçado é que eu lembro de aniversários de amigas do passado, assim como de ex-namorados. A amizade ficou em algum lugar no passado, mas o dia do aniversários não. Sempre lembro, hoje é aniversário de funalita, como ela estará? [Espero que bem].       Apesar dessa nova realidade, minha comemoração foi preenchida com o amor dos meus filhos e marido. Foi um...