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Descanso inquieto: o início do meu ano sabático

“Aproveita mesmo, Lud, porque a gente é explorada nesse mundo capitalista e se sente culpada quando deixa de ser explorada.” Essa frase, dita por uma amiga  em uma mensagem de áudio, carrega um peso que muitas mulheres reconhecem. O mundo capitalista, com seu ritmo frenético e sua busca pela produtividade, nos impõe a ilusão de que descansar é um luxo de poucos, quando deveria ser um direito de todos. E a mulher é a principal vítima do culto ao trabalho invisível. É interessante pensar que, em plena era da autonomia e do empoderamento feminino, ainda somos as principais responsáveis pelo trabalho doméstico não remunerado. E o que é mais impressionante: muitas de nós nos sentimos culpadas quando pausamos, quando "desligamos" do turbilhão de tarefas que a sociedade espera que cumpramos. Quando buscamos uma pausa, logo nos vem à cabeça a sensação de que estamos deixando de fazer aquilo que se espera de nós: manter a casa em ordem, cuidar dos filhos, dos pais, atender ao marido, ...