Solidão de Casa Cheia
Há dias que me sinto assim, exatamente como a letra do Milton: solidão de casa cheia . É um paradoxo, considerando as crianças. Amigos que riem alto, família que preenche os cômodos com conversas e histórias. Ainda assim, esse vazio permanece. Silencioso, insistente. Não é que falte amor ou companhia. Talvez falte ser ouvida de verdade, com o coração aberto de quem não está apenas esperando a vez de falar. Falte aquele momento de desabafo sincero, sem precisar medir palavras, sem medo de parecer exagerada ou dramática. Tem sentimentos que precisam sair. Virar palavras, lágrimas, talvez até risadas. Precisam evaporar, virar poeira, sumir, para que eu possa voltar a me sentir inteira. É só a alma pedindo espaço, um pouco de ar fresco. E, no meio disso tudo, adorei a ideia de assistir a um filme contigo. Parece tão simples, mas é exatamente o que eu preciso. Ficar ali, lado a lado, sem pressa, dividindo um pedaço de história que não seja o caos dos dias ou a correria das horas....