Pelos campings da Austrália


Uma maneira comum de viajar pela Austrália é alugando um motorhome, campervan ou caravan. Há muitos campings grounds e caravan parks pelo país que atendem aos diversos públicos. Tem gente que aluga o espaço e estaciona a campervan, assim utilizam o banheiro e outras facilidades do site, como lavanderia, churrasqueira, piscina entre outros.

Outros vão de carro, montam sua barraca e também utilizam das facilidades. E uma parte que aluga uma cabin, que é similar ao interior de uma campervan, porém maior, com quarto, ou quarto/sala/cozinha (com comodidades para cozinhar), pode ter banheiro ou não, ser pequena, modesta ou luxuosa, enfim, há de diversos tamanhos e modelos. Cada modalidade tem seu preço e suas vantagens.

Em nossa viagem pela costa leste, conhecemos oito cidades, sendo que em três delas ficamos em campings. Optamos por alugar um carro e nos hospedar nas cabins, já que, para o nosso orçamento, ficava mais barato do que alugar uma campervan. Adorei este tipo de acomodação pois ficamos no meio termo: nem acampado pé no chão, mas sentindo o clima do local, e sem as formalidades de um hotel, porém com conforto e no meio da natureza.

Nosso roteiro começou pelo sul da costa leste. Conhecemos Jervis Bay, Eden, Melbourne e Philip Island. De lá pegamos um voo para Sunshine Cost, ao norte da costa leste. Seguimos descendo pela costa em direção à Sydney passando por Brisbane, Byron Bay e Port Macquaire e até chegarmos novamente em Sydney.
Jervis Bay


Saímos de Sydney na manhã de segunda-feira (18) e seguimos para Jervis Bay, a três horas ao sul. As estradas merecem um post à parte, mas aqui já fica o registro: são bem sinalizadas, com paisagens lindas e sempre com um aviso simpático aos motoristas: STOP, REVIVE, SURVIVE. O aviso indica que a tantos quilômetros o motorista vai encontrar um local com banheiro e espaço para você fazer um lanche e descansar um pouco antes de seguir viagem. Este lugar pode apenas um pátio ou até um National Park, por exemplo. Em alguns, dá até vontade de ficar de vez mesmo.


Neste primeiro trecho resolvemos parar numa simpática cidade à beira mar: Wollongong, a terceira maior do estado de Nova Gales do Sul, em uma praia com jeito de interior. Do carro meu filho já avistou um parquinho. O playground, que tem o imponente nome de Lions Park fica ali na orla, bem gostoso. Admiramos o visual enquanto tentávamos convencê-lo a voltar para a estrada. Meia hora e um cappuccino, depois seguimos viagem.

Wollongong

Rastreador de playgrounds



Chegamos em Jervis Bay no meio da tarde e logo fomos ver como funciona esse tal de camping. Nossa cabin não tinha banheiro, precisamos atravessar uma via para chegar aos restrooms, onde também ficam os chuveiros. Nosso camping (Jervis Bay Holliday Park) fica próximo a um rio, onde os campistas mais usuais já levam, além da campervan, barcos de pesca esportiva.

Jervis Bay Holliday Park


Nossa cabin

A piscina era atraente, mas o fim de tarde estava um pouco frio para encarar a água gelada, então meu filho se divertiu no parquinho mesmo. No fim do dia resolvemos dar uma volta na orla e seguimos a pé pela estrada, já que a recepcionista do camping disse que era a uns 2 km de caminhada...


Metade do caminho eu já estava me arrependendo de ir a pé, pois pra mim já tinha passado mais de dois quilômetros, quando fomos surpreendidos com um enorme canguru tentando atravessar a estrada. Eu com medo e curiosidade, Miguel querendo ver mais de perto e o que conseguimos foi uma foto de longe com ele, que, esperto atravessou a estrada assim que pode e ficou lá, fazendo pose, acho que com medo da gente! Já tínhamos visto canguru em Sydney, mas ver um selvagem, assim, no meio do caminho, foi mais emocionante. Pena que ele foi mais esperto que nós e correu logo.


E no meio do caminho tinha um canguru!

Que logo atravessou e fugiu da gente

Seguimos nosso caminho até a orla, que não era bem a orla, mas a marina de Huckisson, o centrinho da cidade. Lá descobrimos, além de mais um parquinho, claro, um cruzeiro de observação de baleias e golfinhos.

E no dia seguinte lá estávamos nós. Entre as opções disponíveis escolhemos o Jervis Bay Wild, e o passeio Eco Adventure Cruise. Após mais um cappuccino e um muffin, entramos no barco e começou a viagem. O comandante acelerou e logo nos arrependemos de não ter colocado tanta roupa de frio quanto a atendente sugeriu.

Estava um lindo dia de sol e embora friozinho, posso dizer que gelou no barco, principalmente quando acelerava... Mas no momento que a baleia fez sua primeira aparição, esquecemos do frio, do vento e fomos admirar seu tímido show. O comandante explicou que, quando elas dão menos saltos, é porque possivelmente está amamentando e cuidando dos filhotes.

Eco Adventure Cruise

Um golfinho correndo da gente!

Tem uma baleia ali no mar! 


Mais uma acelerada à frente e vimos as focas tomando um sol e se espreguiçando nas rochas, aliás, outra paisagem fantástica, as falésias e o imponente light house (farol) é outro espetáculo da região. Como são bonitos os faróis,, nunca tinha dado muito bola, mas adorei vê-los. Outra acelerada e achamos um grupinho de golfinhos correndo e brincando com os colegas. Após quase duas de cruzeiro e muito frio voltamos à marina de Huckisson, dispensamos o piquenique que estava preparado e resolvemos esquentar a barriga com um prato que os australianos adoram, herança dos ingleses: fish and chips! Simples, mas rápido e gostoso.



Bowen Island

Point Perpendicular

Huskisson Marine 




À tarde fomos conhecer as praias, mas sem expectativas para entrar na água, já que estava frio. Seguimos sem rumo e paramos em Huckisson Beach, descemos por uma escada em meio à mata e demos de cara com uma praia com areia finíssima e águas azuis esverzeadas. À frente havia um pequeno muro de pedras rochosas, mas como a gente só queria se divertir na areia e relaxar, por ali ficamos. Mas foi esquentando e descobrimos pequenas poças de água do mar onde deu para brincar bastante de castelinhos de areia, ao som da tranquilidade e da natureza. O lugar era todo nosso e nos divertimos pra caramba. Até arrisquei um topless, já que aquele paraíso estava deserto!










Andamos mais um pouco a frente e encontramos outro trecho de areia muito branca, onde a água clara recuava e dava lugar a perfeitos desenhos no chão. Por ali ficamos até o fim da tarde, até que a a água gelada começou a subir e tomar seu lugar novamente.


Eden


Na quarta-feira (20) seguimos de Jervis Bay rumo a Eden, mais ao sul. Pela Princes Highway avistamos as fazendas e as matas secas que sofreram com o último inverno. Chegamos no fim da tarde e ficamos no Eden Beachfront Holiday Park.


Na manhã seguinte fomos correndo para a praia, a 100 metros da nossa cabin. Sim, ficamos literalmente ao lado da praia, o que rendeu uma madrugada bem fria! Mas diante do oceano esquecemos tudo isso...embora ainda não tenha sido dessa vez que demos aquele mergulho na praia. Alguns golfinhos deram um breve show pra gente! Ficamos algumas horas brincando ali e já que o mormaço foi ficando frio, resolvemos conhecer outros pontos de Eden.


Eden Beach


Passeamos pela cidade e paramos no Eden Lookout, o mirante da cidade, para ter uma vista panorâmica de Twofold Bay e seu litoral de pedras rochosas. Eden Lookout é o local de onde se via a caça às baleias assassinas, as Orcas. Ainda bem que vimos somente a estupenda vista do litoral.


Eden Lookout
Seguimos para Ben Boyd National Park, há 30 km do centro de Eden. Na entrada do parque uma placa avisava para deixar o valor da entrada, 8 dólares por carro, mas a caixinha estava lacrada para colocar a grana. E pela primeira vez um aviso para não deixar pertences no carro, o que nos surpreendeu, já que o país é considerado seguro. Infelizmente, o paraíso não é perfeito.

Ben Boyd Tower
Entramos por um caminho onde as árvores e a vegetação estavam secas. O cenário parecia de um conto dos Irmãos Grimm. Obscuro e ao mesmo tempo bonito, era possível ver a mata renascendo após a seca – ou queimada, não sei. Pelo caminho há placas com informações históricas do local. Logo vimos a Ben Boyd Tower, uma antiga torre da cidade. Hoje não se pode subir ao topo da torre, a medida é para preservação da construção. Mais à frente há um mirante para a deslumbrante costa de Eden e suas falésias.

Falésias de Eden

Na trilha dos cangurus
Voltamos pelo caminho e fizemos uma pausa para um rápido piquenique. Na saída vimos uma trilha e apesar do meu receio, fui convencida a entrar para ver mais de perto as falésias da costa logo adiante.

E de repente, avistamos cangurus, que ficaram imóveis, acho que tentando se despistar da gente. Depois seguiram correndo pelas matas...

Continuamos nossa trilha, numa expectativa e medo gostoso, eu achando que depois de cada barulhinho ia surgir um canguru ou uma cobra! Mas nada, apenas nos surpreendemos com a natureza exuberante da mata.








Melbourne


Manhã de sexta-feira (22), pegamos novamente a Princes Highway, desta vez com destino a Melbourne. A estrada mais uma vez nos encanta com suas lindas paisagens, fazendas e mirantes. Tive a impressão que toda cidade tem o seu lookout. Cada parada para descansar pode nos brindar com a beleza local. Uma dessas paradas foi em Lakes Entrance, já no estado de Victoria. Do mirante nós vimos os lagos da cidade, que é um resort turístico e porto de pesca.


Lakes Entrance

Continuamos na Princes Highway e chegamos em Melbourne, Victoria, no fim da sexta-feira. Lá nos hospedamos em um flat (Mono Apartments), bem no centro da cidade, na Franklin Street. Descansamos à noite e saímos na manhã de sábado (23) para conhecer o Queen Victoria Market, a 200 metros de onde nos hospedamos.


Queen Victoria Market é o mercadão central, onde se compra de tudo um pouco: brinquedos, frutas, souvenirs, artesanato, legumes, cafés e lanches, entre outros. De arquitetura vitoriana, o mercado ao ar livre encanta por esse mix de antiguidade, produtos e comidinhas.






De Queen Victoria Market seguimos caminhando - foi uma pernada - mas valeu a pena, para apreciar o centro da cidade e seguir para o Melbourne Museum. O Museu de Melbourne é fascinante pois em suas galerias podemos ver História Natural, Ciências, Cultura Aborígene e ainda a história da cidade em um ambiente contemporâneo e interativo. Uma diversão cultural para a criança e sensacional para os adultos, que podem conhecer mais da história da Austrália e da multicultural Melbourne.







O museu fica no Carlton Gardens. Os jardins mostram a paisagem vitoriana com extensos gramados e diversas árvores e flores. Há fontes e lagos ornamentais o que torna ainda mais estonteante o local. E ali o pessoal curte o dia, faz piquenique, fotos, encontros ou simplesmente fica deitado na grama. Nós fizemos nosso piquenique e descansamos um pouco, enquanto admiramos a natureza.


Carlton Gardens




Andamos mais um pouco pelo centro da cidade passando pela State Library of Victoria (Biblioteca Estadual de Victoria), China Town. No fim da tarde fomos para Santa Kilda Beach, mas desta vez de carro. Paramos bem ao fim da praia, na avenida litorânea Marine Parade onde fica a Marina de St Kilda, e caminhamos pela Moran Reserve, um calçadão que circunda o mar e oferece uma linda vista da praia com os prédios do centro de Melbourne ao fundo. Apesar do vento frio e forte, curtimos um pouco do sunset.


State Library of Victoria



Marina de St Kilda



Na noite de sábado saímos para jantar e sentir a cidade, que ferve de jovens e gente de toda a parte indo de um lugar para o outro. Como tem gente nessa cidade! E eles ocupam todos os espaços, curtem a cidade e se permitem desfrutar desta multiculturalidade. Pudera, com níveis de segurança tão altos, gostaria até de morar nas ruas. Melhor não. Mas não vimos muitos moradores de rua pela Austrália, um ou outro pedinte talvez.


Phillip Island


Manhã de domingo, acordamos e fomos para Phillip Island, ilha australiana a cerca de 140 km ao sul de Melbourne. A intenção era ver os pinguins pequenos, mas não nos atentamos que só conseguiríamos vê-los no fim da tarde...o que encontramos foi o vento gelado da costa sul e uma paisagem antártica de The Nobbies.








A primeira parada foi no Nobbies Center. Entramos na atração para uma jornada interativa que simula o Oceano Antártico. Na sala de realidade virtual, as crianças piravam ao simular um mergulho com baleias, focas, tubarões e golfinhos. Já não bastasse o frio na fora, ainda pudemos sentir o congelamento na Zona de Chill Antártica, entre outras atividades. Além de educativo, o local promove uma aventura e diversão para pais e filhos.


Nobbies Center - sala de realidade virtual

Logo em frente está a passarela do local conhecido como The Nobbies, uma passarela que permite uma visão singular da ponta ocidental da ilha. Durante a caminhada pudemos admirar os pássaros e patos que por ali desfilam e a Seal Rocks, uma enorme rocha na ponta do mar, como o próprio nome diz, lar de focas australianas.




Saindo de The Nobbies, seguimos para Maru Koala and Animal Park, um parque com koalas e outros animais nativos australianos. Para alegrar os turistas, são vendidos potinhos com comida para kanguru e podemos alimentá-los na boca. Os cangurus são bem mansinhos e chegam perto logo que vêm o potinho! Vimos um albino e umas fêmeas com os filhotinhos na bolsa, mas confesso que fiquei tocada, pois o bichinho não parece nada confortável ali...mas é a natureza, mamãe e filhotes devem gostar, claro.






Maru Koala and Animal Park



Vimos outros animais interessantes como os wallabies (uma versão mini dos cangurus), os dingos (um cão  selvagem), demônio da Tasmânia e ainda um filhote de crocodilo. E koalas, claros, mas eles ficavam lá, de boa, agarrados nas árvores, só dormindo….ô vida boa!






De volta a Melbourne, arrumamos as malas pois na manhã de segunda partimos para Sunshine Coast, ao norte da costa leste.


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